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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Reportagem da equipe ALFA Pub pode ser visualizada na íntegra

A reportagem produzida para o TCC de Jornalismo da Unimep - Universidade Metodista de Piracicaba, da equipe ALFA Pub, pode ser vista, na íntegra, neste link, no menu que fica a direita. O caderno Ponto Final foi veiculado em encarte do Jornal de Piracicaba na última semana, e foi realizado pelos graduantes do curso.

O texto "Um novo tempo, Um novo homem", na página 5, traz uma análise reflexiva de gêneros e levanta casos que evidenciam o papel de um novo homem contextualizado ao seu tempo.

Boa leitura!

Resenha sobre SWU repercute no maior site sobre música pesada da América Latina

A resenha "SWU: O dia dos regenerados do Heavy Metal", produzida pelo ALFA Pub, teve mais de 15 mil visitas no portal Whiplash!, o maior sobre heavy metal da América Latina. Se não bastasse, a página da resenha também rendeu comentários sobre a produção. Críticas foram postadas.

Você confere a matéria aqui.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

SWU: O dia dos regenerados do Heavy Metal

O último dia do SWU 2011, que aconteceu em Paulínia, interior de São Paulo, entre os dias 12 a 14 deste mês, evidencia a capacidade de regeneração de dois ídolos da música pesada. Dois ex-viciados em heroína, Phil Anselmo e David Mustaine - líderes dos grupos de heavy metal Pantera, já extinto, e Megadeth, na ativa desde 1983 - foram as atrações principais.

O primeiro, que mostrou toda sua hostilidade ao socar um dos seus microfones em sua testa (foto abaixo), deu o recado logo no início da tarde de ontem. Quando subiu ao palco, Anselmo foi ovacionado e liderou fãs em uma homenagem a sua extinta banda - na verdade, ele cantou apenas algumas partes de uma música, mas o clima e os gritos dos fãs faziam crer que ecoar o passado fosse a principal força no seu show. Coisa que ele, há 15 anos, sequer imaginaria, quando foi dado como morto após sofrer uma overdose.

Anselmo com a testa aberta durante apresentação. Foto: UOL

Embora já tenha vivido seus melhores dias, quando ainda podia abusar das drogas ilícitas, queira ou não quando lançava seus melhores álbuns, o ex-vocalista do Pantera foi uma atração à parte. Era muito mais esperado que sua atual banda, o Down, e fez jus a quem foi para o ver se apresentar. Para essa ocasião, a banda decidiu tocar seu primeiro disco, o clássico “Nola”, na íntegra, além de dar uma palhinha da música "Walk", do Pantera, como citado.

Banda tocou primeiro álbum na íntegra. Foto: IG
David Mustaine, guitarrista, vocalista e líder, por outro lado, não se mostrou nada hostil. Pelo contrário, foi o mais atencioso e educado entre todos os frontmans do último dia do circuito de rock em Paulínia. Subiu e desceu do palco agradecendo a multidão de cerca de 30.000 pessoas que gritavam seu nome.

Megadeth excursiona divulgando novo álbum lançado este ano. Foto: Veja
Neste ano, o Megadeth lançou seu 13º álbum e o disco dá a tônica da regeneração acontecida por ele, que se acentuou após um curto período e hiatus da banda, entre os anos de 2002 e 2004. Mesmo divulgando o lançamento, o set list da banda foi calcado nos clássicos como "Wake up Dead", "Hangar 18", "Symphony of Destruction", "Peace Sells" e "A Tout le Monde".


Em seus 28 anos de estrada, o Megadeth tem um número curioso: ao todo 20 músicos já tocaram junto com Mustaine, único presente em todas as formações. Fato que não impediu a banda de lançar diversos álbuns premiados com discos de ouro e platina, com diversas indicações ao Grammy.

Os dois são ídolos inquestionáveis no que tange à música pesada e como tal dão ao mundo uma lição de como a desintoxicação pode fazer com que se alcance novos vôos na carreira musical e no lado pessoal. Fato que se faz cada vez mais presente no cotidiano. O dia foi dos regenerados.

Veja trecho do show do Megadeth:


sábado, 12 de novembro de 2011

Documentário produzido pela equipe do Alfa Pub pode ser visto na internet

O documentário Monsters Of Cover, feito pela equipe do Alfa Pub, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), ajuda a esclarecer aspectos sobre as bandas cover. Ele pode ser acessado no portal Youtube ou visto também neste post.

Um dos diretores do vídeo, Bruno Bianchim Martim explica. “É um documentário que mostra como essas bandas buscam cativar fãs mesmo não fazendo nada autoral, simplesmente interpretando o que já existe”.

Ozzmozzy é uma das bandas cover que protagoniza documentário. Foto: Divulgação
A opção pelo tema veio de uma análise simples. Hoje, os bares e casas noturnas que contam com apresentações musicais escolhem bandas que interpretam outros artistas para trazer um maior número de pessoas aos seus estabelecimentos. Afinal, quem é fã de determinada banda ou cantor, tem tendência em acompanhar um grupo que coveriza suas preferências sonoras.

“E foi a partir deste aspecto que começamos a pensar o documentário. Elaboramos entrevistas em vários shows de Piracicaba e região e acabamos selecionando três bandas que vão estar na produção”, detalha.

As bandas entrevistadas homenageiam três ícones rockeiros. As bandas Kiss, Ozzy Osbourne – este um dos mais míticos vocalistas da história da música -, e Ramones. As covers entrevistadas foram a Destroyer, banda paulistana vencedora da categoria Melhor Cover, no Domingão do Faustão, da TV Globo, em 2009, a Ozzmozzy, de Campinas, e a piracicabana Smash You, respectivamente.

Primeira parte:


Segunda parte:


O documentário também foi tema no portal Whiplash!

Moda masculina: jaqueta de couro

Artigo publicado originalmente no portal Moda Masculina - com edição

A jaqueta de couro é uma peça atemporal. Um casaco de cabedal dá ar de rebelde e de irreverência a qualquer homem. Apesar disso há muito espaço para errar ao escolher esta peça de roupa masculina. Tudo se resume ao talhe e ao encaixe. Uma jaqueta de couro deve estar relativamente justa e encaixar no corpo de forma a criar linhas direitas.

James Dean popularizou uso das jaquetas de couro. Foto: The selvedge yard

Hoje em dia as jaquetas de couro são diferentes das versões da década de 1950 e são feitas de couro de vitelo ou de cabra - em vez do cabedal de antigamente que fazia barulhos cada vez que o homem se mexia.

Uma sugestão é tentar um tamanho mais pequeno que costuma escolher normalmente. Veja como fica e como se adapta à forma do seu corpo. Nos ombros a jaqueta deve estar mais justa do que larga. A jaqueta deve acabar na sua cintura e não nas pernas. Verifique também se as mangas não estão grandes.

Foto: Divulgação



Estilos de Jaquetas de Couro

No que toca a estilos dos casacos de couro só existem três estilos que interessam. O estilo Fatigue, que tem dois bolsos no peito; o estilo Motocross, somente com dois bolsos na cintura; e o estilo Bomber, que tem uma linha nas mangas e um forro de lã.








Foto: Divulgação




Cores de Jaquetas de Couro

A cor também uma escolha importante. Preto é a escolha mais popular mas existem outras hipóteses a ser consideradas. Claro que uma jaqueta preta é uma boa escolha para um visual mais clássico e dá sempre uma onde de cool e de irreverência, mas com os tons de castanho chocolate e os castanhos mais claros disponíveis em todo o lado, porque não experimentar?

O castanho sempre foi uma escolha com mais estilo comparada com o preto formal, sendo versátil quando combinado com quase qualquer cor e ajuda a diferenciar dos imitadores do James Dean.

Outra coisa a ter em mente é que uma jaqueta de couro não é só para vestir quando está ao ar livre. Como você vai escolher um corte mais justo pode manter o casaco vestido em restaurantes, bares e discotecas – é como se fosse um blazer.


Formas de Vestir uma Jaqueta de Couro

Como sempre existem algumas formas de vestir uma jaqueta de couro que ficam sempre bem:

Pegue nas suas calças jeans preferidas (desde que tenham um tom mais escuro), junte uma camisa branca e uma gravata preta fina. Junte com um casaco preto e o seu par preferido de ténis brancos você fica com um visual entre o forma e o casual perfeito.


Justin Timberlake é um dos sinônimos atuais de se vestir bem. Foto: Site oficial Justin Timberlake
Com um casaco de cabedal castanho junte umas calças jeans mais largas, uma t-shirt com estampa que tenha uma base branca ou preta e meta uns ténis da converse ou uns ténis vintage. Junte uns óculos e um gorro cinzento para um conjunto descontraído.

Experimente uma camisa de uma cor ou às riscas. Vestir umas calças mais formais e uma camiseta mais casual também pode ser uma combinação boa. Aquelas calças azuis escuras ou cinzentas que você só usa para as entrevistas de emprego com uma t-shirt simples e uns sapatos formais podem ficar bem numa jaqueta castanha.

Uma jaqueta de couro é um elemento essencial no guarda-roupa de um homem. Esta peça de roupa masculina combina com quase tudo. É uma daquelas peças de roupa que você pode utilizar para combinar com peças mais efémeras que saem de moda na próxima estação. Os casacos de cabedal vieram para ficar!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O calcanhar de Aquiles de Sócrates

Artigo publicado originalmente no portal Quattro Tratti


Não são muitos os jogadores que conseguem ser eleitos como unanimidade quando se escolhem os 11 integrantes do melhor time de todos os tempos de um grande clube. Ele foi o único. Tampouco é fácil ser novamente unanimidade em um pleito que elege os dez maiores ídolos da história deste time. Ele, mais uma vez, foi o único. Também não é fácil estar entre os 125 maiores jogadores de futebol da história ainda vivos. Ele está. Campeão, ídolo e craque incontestável, Sócrates tem apenas uma frustração: sua passagem pela Fiorentina.


Destaque de um Corinthians multicampeão e um dos líderes do primeiro - e até hoje único - movimento social liderado e mantido por jogadores dentro e fora dos gramados, a Democracia Corinthiana, o Magrão, como era conhecido, jamais repetiu na Itália a genialidade que o consagrou com as camisas do Timão e da Seleção. Sócrates sofreu com diversos problemas - frutos de seu temperamento diferenciado ou não - e não foi, na Fiorentina, nem sombra do jogador que brilhou pelo Corinthians. Especulações não faltam para tentar explicar o insucesso, mas poucas são aquelas que realmente justificam a passagem tão apagada do meia pela viola.

Sócrates com a camisa da Viola. Foto: Site oficial Fiorentina


Os sucessos nos tempos de Corinthians e a classe com a qual se apresentou no Mundial de 1982, quando o Brasil caiu diante da Itália de Paolo Rossi, fizeram de Sócrates um objeto de desejo no Velho Continente. Bom para a Fiorentina, que em 1984 conseguiu levar o jogador para atuar no Artemio Franchi. O sonho da equipe de Florença era ter o mesmo sucesso que a Roma, que brilhava sob o comando de Falcão, parceiro do ex-corinthiano e também um dos responsáveis por encantar o mundo com a seleção de Telê em 82. O plano, porém, não saiu do papel e se tornou em uma das grandes frustrações da história viola - e também da carreira do Doutor.

A temporada de 1984-85 não foi nada boa para a Fiorentina. O time ficou apenas com a nona colocação do Italiano, sem chance alguma, ao longo de todo o campeonato, de sequer encostar nos líderes e entrar na briga pelo scudetto. O futebol longe do ideal apresentado pelos gigliatti também foi notado em Sócrates, que por não repetir as grandes atuações que o consagraram no Brasil, terminou o ano apontado como o grande culpado pela campanha pífia de seu time. Foi o estopim para que o Magrão deixasse a Itália e voltasse ao Brasil - onde, mesmo jogando em grandes times, nunca mais voltou a repetir o sucesso dos tempos de Corinthians.



Sócrates durante Copa do Mundo de 1982, quando Brasil acabou eliminado pela Itália de Paolo Rossi. Foto: Site oficial CBF


O caminho até sua saída, no entanto, não foi nada curto, apesar de ter durado apenas um ano. O problema começou ainda no Brasil. Sempre foi sabido que Sócrates odiava concentrações, treinos físicos e todas as atribuições cotidianas da vida de um atleta. Era visto fumando e bebendo com frequência, principalmente nos tempos em que, líder da Democracia, foi um dos responsáveis por acabar com concentrações no Corinthians. Na Fiorentina, porém, nada disso deixava de ser feito para satisfazer as vontades de qualquer jogador. Resultado disso foi uma dificuldade imensa para que o Magrão voltasse a se adaptar às tarefas que não estava mais acostumado a realizar.

A insatisfação com os treinamentos puxados que aconteciam em Florença e com o regime muito menos liberal imposto pela Fiorentina, porém, eram apenas a ponta do iceberg. Mais para baixo estavam dois problemas um tanto quanto maiores que Sócrates enfrentou e que, para muitos, foram os grandes responsáveis por seu fracasso na Itália.

Em primeiro lugar estava um imbróglio que o próprio Doutor criara: assim como outros tantos craques, o meio-campista era adepto assíduo da noite italiana. Sua presença em festas era semanal - quando não diária - e atrapalhou muito seu rendimento dentro dos campos. Não só pelo desgaste natural que esses eventos proporcionam, mas também pela perseguição da imprensa local, que aumentava a cada jogo ruim - ou até mesmo não tão bom - que o jogador realizava.

No Brasil, camisa 8 foi ídolo do Corinthians durante décadas de 1970 e 1980. Foto: Arquivo O Estado de S. Paulo

Somada às baladas e à perseguição da imprensa estava um suposto relacionamento ruim com o restante da equipe. Nunca confirmado oficialmente, o mal estar entre Sócrates e seus companheiros teria começado quando o Doutor teria dado a entender que desconfiava que alguns de seus colegas estariam envolvidos em um novo escândalo como o Totonero, acontecido em 1980. Um ano após a saída do meio-campista da Fiorentina, em 1986, seria revelado mais um escândalo deste tipo, mas sem nenhum jogador ou dirigente da viola envolvidos. O fato é que a antipatia de seus companheiros - talvez não só pelas suspeitas em questão - fizeram com que o Magrão ficasse sozinho em Florença. Passou, então, a deixar o futebol de lado e aproveitou a oportunidade para se aprofundar na história da arte, realizando cursos durante sua estadia na cidade.

Batizado com o nome de um dos mais famosos filósofos gregos, Sócrates viveu na Itália uma pequena tragédia helênica. O meia teve em sua passagem pela Fiorentina a imagem perfeita de uma das mais famosas histórias gregas: a viola foi para Sócrates o que foi o calcanhar para Aquiles na mitologia.

TV Bandeirantes relatou vida de jogador durante estadia em Florença:



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Bodas de Prata: Obrigado, Sir!

Texto publicado, originalmente, no fã clube brasileiro do Manchester United.

Ao falarmos em futebol, logo lembramos dos jogadores mais bem remunerados, das contratações milionárias e dos gols mais bonitos que assistimos. É raro destacarmos o trabalho de um treinador como o grande fator de uma conquista. Dificilmente percebemos o quanto um técnico pode acrescentar para a prática deste esporte. Porém, Alex Ferguson é o oposto disso tudo e pode ser considerado um dos personagens principais da história de um clube. Estar no comando há tanto tempo é algo raro no futebol, principalmente no Brasil, que observa a ruína de profissionais a cada derrota dos seus respectivos times.


Alex Ferguson pode e deve ser considerado o principal responsável por promover o nome do Manchester United ao topo, consagrando o clube como um dos mais conhecidos e bem sucedidos do planeta. Mascar seu "chicletinho" durante todas as partidas está longe de ser a única marca do seu trabalho. O "velhinho" é o grande autor da reformulação ocorrida no clube no fim dos anos 80. A remodelação na estrutura do grupo de jogadores e da política de contratações foi responsável pela construção de gerações que possibilitaram inúmeras conquistas. Além disso, como treinador, ninguém ganhou mais títulos do que ele na história do futebol inglês. Nenhum outro técnico permaneceu por tanto tempo no time de Old Trafford. Foi o primeiro técnico de um time inglês a ganhar a Tríplice Coroa (Premier League, Copa da Inglaterra e Champions League).




Ferguson ultrapassou Sir Matt Busby, e agora é o técnico mais longevo da história do United / Site oficial Man Utd


O 19º título do Campeonato Inglês foi o ápice dessa trajetória vitoriosa. Se no início da década de 90, alguém tivesse a audácia de falar que o United ultrapassaria o Liverpool em número de títulos ingleses, certamente, seria considerado um tremendo desvairado. O último título dos Reds, em 1990, deixava o placar em 18 a 7 para o time da terra dos Beatles. E, para completar, o United não conquistava a competição desde 1967. Entretanto, hoje, 21 anos depois, o marcador é 19 a 18 para os Red Devils.


Portanto, com tais fatos e conquistas, ouso a dizer que, até hoje, ninguém é maior do que Sir Alex Ferguson na sua área de atuação. Homenagens, prêmios e reverências são fundamentais para premiar a carreira de um homem que, com o tempo, aprendeu a vencer e tornou-se referência na sua profissão. Faltarão premiações e condecorações para simbolizar tudo aquilo que Sir Alex Ferguson é, não só para o Manchester United, mas também para o futebol. Responsável pela seguinte frase: "Nenhum jogador é maior do que o clube", ele tem razão. Nenhum jogador é maior, porém ele mesmo provou que um treinador pode ser tão grande ou até maior que um clube. Parabéns, Sir. Que esse casamento vitorioso com o Manchester United dure por muitos anos.

"Se por trás de todo homem existe uma grande mulher, por trás do United existe mais que um excelente treinador, existe alguém que ama o que faz e tem sucesso comprovado".


SAF, como é chamado entre os torcedores, também tornou o United a equipe com mais títulos ingleses da história / Site oficial Man Utd


Um escocês de 69 anos, ganhador de quase 40 troféus que está há um quarto de século comandando um dos maiores clubes do planeta. Mais de 1.400 partidas, tornando-se, assim, o treinador que permaneceu por mais tempo à frente do Manchester United. Este é Sir Alex Ferguson, que, no último sábado, 5, completou 25 anos à  frente do time vermelho de Manchester.



Confira vídeo em homenagem a carreira do Sir abaixo:

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Produção de cerveja gourmet em São Pedro

Tulipa Red Lager.
Foto: Thiago Sanchez Gaspareto
Saudações leitores do Alfa PUB.

Peço desculpas pela escassez de postagens nessa semana, devido a alguns problemas técnicos, logísticos e uma pequena crise de criatividade. Mas seguimos então com um tema ébrio para re-estrear o blog, que, como vocês vêem, está de cara nova.


Pilsen ou Red Lager?

Cerveja. Assunto e bebida comum no universo masculino, não poderia deixar de aparecer no Alfa PUB, então aproveitei a cervejaria aqui da cidade de São Pedro-SP, a Halb Zehn Bier, para buscar      conhecimento sobre o néctar sagrado.

Tulipa Pilsen.
Foto: Thiago Sanchez Gaspareto
A Halb Zehn Bier produz dois tipos de cerveja: a Pilsen e a Red Lager. 


A Pilsen é preferência nacional, segundo o mestre cervejeiro Domingos Mazzeo Jr. Por ser mais leve e suave, adequada ao clima tropical, você acaba consumindo em maior quantidade. Totalmente diferente a Red Lager, que pode ser chamada de cerveja gourmet e, de acordo com Mazzeo Jr., é indicada para quem gosta de degustar bebidas refinadas. Essa cerveja se caracteriza primeiro por ser mais escura que a Pilsen e bem mais encorpada. Outra característica instigante é que ao engolir a Red Lager você não fica com aquela sobra de sabor amargo na boca, um aroma levemente doce se mantém durante algum tempo, o que torna mais apreciativa a degustação.


Esses dois tipos de cervejas produzidas pela Halb Zeh Bier seguem a linha das cervejas europeias - mais encorpadas e saborosas - que se deve a exigência dos consumidores, segundo Mazzeo Jr., que buscam por produtos de qualidade superior ao que estamos acostumados no padrão nacional. O preço da cerveja é bem acessível, cada tulipa, seja de Pilsen ou Red Lager, custa R$ 3,50, ou seja, só não bebe uma cerveja de qualidade quem não quer.

Mazzeo Jr. faz parte da segunda geração de cervejeiros da família, pois o pai foi um apaixonado pela profissão, com quem começou a trabalhar aos 14 anos. Chegou a exercer a função na fábrica da Caracu, em Rio Claro, que depois passou a ser da SkolBrahma até a união das cervejarias que formou a AMBEV, onde se aposentou. Confira a seguir a entrevista com o mestre cervejeiro.





De acordo com Mazzeo Jr., o Brasil é autossuficiente na produção do malte para cerveja, porém a maior parte da produção é comprada pela AMBEV. A compra do malte que sobra gera uma concorrência entre as cervejarias independentes que necessitam dessa matéria prima. Por esse motivo e também pela busca de qualidade superior, a Halb Zehn Bier importa malte da Alemanha.



Balcão do bar: onde você pode ancorar
e degustar a cerveja.
Foto: Thiago Sanchez Gaspareto
Conversei também com o gerente e responsável pelo marketing da empresa, Donizete Lima, que contou sobre a história da Halb Zehn Bier e algumas curiosidades.

A cervejaria nasceu da parceria entre o Domingos Mazzeo Jr. e seu amigo Claúdio Gimenez, inaugurando o estabelecimento em 2010.

Os tanques de fermentação ao fundo
formam um cenário peculiar. As cervejas
são produzidas no local.
Foto: Thiago Sanchez Gaspareto
Segundo Lima, o nome da cervejaria foi sugerido por Cláudio, baseando-se no horário da maioria dos brew pubs germânicos, especialmente na região de Munique, que abrem tipicamente às nove e meia da manhã, ou seja, halβ zehn. O nome também pode ser relacionado à qualidade da cerveja, pois como nada é absolutamente perfeito, o chope halb zenh não é nota dez, mas com certeza merece um nove e meio.



Serviço

Tanques de fermentação.
Foto: Thiago Sanchez Gaspareto
A cervejaria Halb Zehn Bier fica na Avenida dos Imigrantes - 647, São Pedro-SP.
Fone: (19) 3483-3009. Perfil no Facebook.


Veja no mapa abaixo como chegar...


Visualizar Cervejaria Halb Zehn Bier em um mapa maior

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Alameda Santos, de Ivana Arruda Leite

Por Daniel Lopes, para o site Lendo.org.


Um crítico deve ser flexível. Não é a obra que deve se adaptar à visão do crítico e sim o contrário. Com o espírito aberto, a primeira coisa a fazer é observar qual a intenção do autor e o tipo de público que ele deseja atingir. Depois, é necessário analisar se o autor fez bem aquilo que se propôs a fazer. Nem todo mundo quer ser Shakespeare. O problema com a crítica que temos é que ela ainda não percebeu isso e, se percebeu, não tem competência e desprendimento para analisar uma obra pop por aquilo que ela deseja ser: POP. Simplesmente.

Falei essas coisas a respeito da crítica porque terminei de ler Alameda Santos, da Ivana Arruda Leite. Gosto de Shakespeare e gostei do livro da Ivana. Cada um no seu quadrado. Shakespeare é Shakespeare. Ivana é outro papo, tenta desvendar a condição humana por meio do desbunde… do riso, mas não pensem que é um riso fácil… solto. Não Senhor. Nada disso. O nosso riso, lendo Alameda Santos, é o mesmo riso dolorido de quando lemos Dom Quixote, ou de quando ouvimos The Smiths e a melodia solta e leve de Johnny Marr nos faz acreditar que o som induz ao sorriso. Só que aí prestamos atenção às letras do Morrisey e nosso riso se torna enviesado, como se houvesse um espinho ao lado… inflamando… enchendo de pus nossa comédia.

Autora no programa Entrelinhas, da TV Cultura, em entrevista concedida este ano:



Acho que fui feliz na comparação com os Smiths, porque a música, inclusive com trechos transcritos, atravessa toda a obra. Não tanto o Rock, mais a música popular brasileira. Música é música, não é? Se fosse pintura, poderíamos dizer que o som é como uma imensa diagonal cortando a tela. O próprio texto são as fitas que a protagonista grava todo final de ano, enquanto toma umas e outras e relembra as desventuras. Até a capa do livro parece a capa de um daqueles LP´s new wave dos anos 80. POP.


Capa do livro Alameda Santos (Imagem do site Lendo.org)


Contudo, não é só a música, nem só o desbunde que compõem o romance. Há muito mais coelhos nessa cartola. Ralph Waldo Emerson, gênio, afirma em um de seus Ensaios que não existe História, só Biografia. O livro da Ivana funciona como uma prova dos nove dessa afirmação. Vai vendo. Durante o desenrolar da narrativa, a protagonista (não nomeada) tenta de tudo para dar sentido à existência. Do marxismo à magia. Da vida na cidade à vida no sítio. Da renovação carismática católica a Nietzsche. Ocorre aqui, no microcosmo da ficção (ficção?) o mesmo que ocorre no macrocosmo da História. Na mesma época em que a narradora (a própria Ivana?) batia a cabeça nas arestas do mundo e de seus relacionamentos, procurando encontrar um rumo; o país saía da ditadura militar, lutava por diretas, enterrava Tancredo ao som de coração de estudante, encarava Sarney e a inflação, Fernando Collor e o assassinato de Daniela Perez. De certa maneira, é o que Milan Kundera sempre fez de forma magistral, mas sem o veio cômico.

Outro ponto interessante do livro é que, a seu modo meio tresloucado, ele também é um romance de formação, Um Retrato do Artista Quando Jovem, embora a Artista não seja tão jovem assim. Nada é mesmo convencional aqui. O fato é que vemos um coração sensível, perdido, artístico, se debatendo contra o mundo, essa máquina de moer gente. Não é no primeiro plano, mas ao fundo que vemos grassar o sonho da escrita. Esse sonho que, ao mesmo tempo em que conforta, também destrói um bocado de gente. “Os artistas estão mesmo fodidos nesse mundo”. É isso que a voz de Ivana, ela mesma, nos diz em suas fitas, ora sussurrando, ora vociferando, conforme o lirismo dos bêbados e dos clowns de Shakespeare. The girl with the thorn in his side.

Divulgação

O livro grita ainda outra verdade, um misto de Nelson Rodrigues: “Só os neuróticos verão a Deus” e Allen Ginsberg “santo, santo, santo, tudo é santo”. Os santos, digo, os personagens de Ivana Arruda Leite são todos neuróticos. Charles (o mais doido), Eduardo, Tereza, Caio, Guto, todos são desajustados. Todos queimam e queimam e queimam como o Dean Moriarty de Kerouac. Todos estão se debatendo com a vida e enfrentando a moral dos fracos (no sentido nietzscheano) que se tornou alicerce de tantos poderosos hipócritas. Todos se machucam. Ninguém sai ileso de um confronto assim. O mundo é foda. Viver é difícil. Essa é uma das idéias.



Autora em seu twitter / Reprodução

Poderia ficar falando aqui a tarde toda sobre o livro. Também sou meio verborrágico, feito a narradora, mas é preciso terminar. A vida ruge lá fora. Fico imaginando então, pra concluir, não a influência de Ivana em Alameda Santos, mas a influência de Alameda Santos em Ivana Arruda Leite. É um livro-catarse, esse, um acerto de contas com a vida e com o passado. Algo que paira sobre o céu da literatura brasileira hoje. Andréa del Fuego escreveu Os Malaquias, Michel Laub escreveu Diário da queda. Não sei a que conclusões Ivana chegou ao término do livro, não consigo sequer fantasiar. Como leitor, se pudesse dizer alguma coisa, diria só:

- Valeu à pena, Ivana, outros corações encontram agora espelho e consolo no seu coração. – E não é essa mesma uma das razões da Arte? Chegar até outros corações cansados como o nosso e dizer que eles não estão sozinhos… que, apesar de todos os Fortes do Mal, formamos uma corrente? Corrente e não pirâmide, que pirâmide dá muita confusão.


Daniel Lopes é escritor com textos publicados nas revistas literárias Amálgama, Meio Tom, Germina e Escritoras Suicidas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Brotas, o potencial do ecoturismo

Por Erick Tedesco

A interiorana Brotas, a 110 quilômetros de Piracicaba, permeia a memória do brasileiro, ou ao menos deveria, quando o assunto é o cantor Daniel. O nome do brotense é constantemente falado entre os moradores da cidade, ora em forma de piadas – que rememora também João Paulo, seu parceiro falecido em acidente de carro em 1997 – ora em tom de orgulho e respeito pela celebridade que muito fez (e faz) pela terra natal, como a reforma do cinema, mas principalmente por evidenciá-la além do recorte geográfico no Estado de São Paulo.

E o que Brotas oferece em troca é o ecoturismo e a infraestrutura necessária para a prática, como pousadas, hotéis-fazenda, agencias de turismo, lojinhas com souvenirs e restaurantes, que por si só estão adequados para serem atrativos turísticos. Em relação ao que oferece cidades do entorno, Brotas, principalmente devido ao esforço da Abrotur (Associação das Empresas de Turismo de Brotas e Região), potencializou os recursos naturais e, hoje, são explorados por pessoas competentes e que souberam, com inteligência, inseri-los na rota do Turismo de Aventura. Arvorismo, tirolesa, rapel, cachoeirismo, rafting, bóia-cross, trilhas em mata densa e canionismo são algumas atividades, indicadas para pessoas de qualquer faixa etária. As atividades de água são no rio Jacaré-Pepira.


Brotas tem se desenvolvido para ser a capital do ecoturismo no Estado de São Paulo, com rafting e cachoerismo // Divulgação

A Abrotur foi formulada – e criada – por empresários locais no intuito de organizar Brotas para ser, de verdade, uma cidade turística, enfocando o ecoturismo. Para tanto, novos restaurantes foram construídos, mais agências foram regulamentadas e áreas, até então apenas mato, foram transformadas em parques e algumas cachoeiras, em propriedades privadas, estruturadas ao turismo. A associação é o trabalho conjunto destes setores.

A iniciativa também popularizou, entre os próprios brotenses e moradores de cidades vizinhas, como Santa Maria da Serra, Itirapina e Torrinha, a entender o ecoturismo como possibilidade de trabalho. Eles começam como freelancers em agências, como instrutores, e podem atingir a profissionalização ou buscar outro tipo de atuação. Todos eles passam por treinamento e conhecem os equipamentos, roteiros e cuidados a serem tomados com os turistas.

Evandro Frasoni, presidente da Abrotur e dono do hotel-fazenda Areia Que Canta, explica que a associação é constituída por 35 hotéis e pousadas, mais de 15 restaurantes, nove agências e 10 sítios turísticos. Em seu estabelecimento, um requintado – e enorme – espaço campestre, era antes pequeno sítio, mas agora tem 50 apartamentos, centro de eventos, quadras esportivas, lagoa para caiaque, trilhas, pomar salão de jogos, pequeno museu com objetos de fazenda.

O Areia Que Canta ainda oferece uma curiosa atividade: o birdwatching, que, como sugere o nome em inglês, é a observação de 172 espécies que rodeiam o hotel-fazenda, um cerrado. E a areia na nascente, branca e fina, 100% quartzo, ao ser friccionada emite som, por isso o nome “areia que canta”. São tantas opções que o turista poderia permanecer no hotel e aproveitá-lo por completo.

Arvorismo, tirolesa, rapel, cachoeirismo, rafting, bóia-cross, trilhas em mata densa e canionismo são algumas atividades, indicadas para pessoas de qualquer faixa etária // Divulgação


No entanto, existe turismo lá fora e é quando Brotas se mostra maior do que apenas a cidade do cantor Daniel, de uma ou outra cachoeira ou ainda de uma cidade para relaxar e respirar o ar do interior paulista. No Recanto das Cachoeiras, por exemplo, o Arvomix engloba arvorismo, tirolesa e rapel e, já nas primeiras etapas das 13 nos andaimes entre as árvores entende-se porque são enquadrados no “turismo de aventura”. O estabelecimento também oferece piscinas e pequena cachoeira, além do restaurante com comida de fazenda.

As opções de restaurantes no Centro de Brotas, no esquema de tudo o que se faz e procura na cidade, dependem de quanto se quer gastar. O mais novo é o Brotas Bar, com três ambientes e que sintetiza, através de elementos decorativos, de bom gosto, o ecoturismo brotense. A proprietária, Daniela Sanchez, conta que mais três espaços serão inaugurados em breve no prédio onde funcionava uma pensão. É dela, também, o pomposo ecoresort Recanto Alvorada, entre Brotas e Torrinha. Brotas, a cidade do cantor Daniel, soube fazer a sua própria fama.

Confira vídeo sobre a cidade:


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Rock in Rio: Muito além de apenas um negócio

Por Erich Vallim Vicente


Às vésperas do show de Ivete Sangalo no Rock in Rio – ela toca sexta-feira, 30, no Palco Mundo –, a polêmica sobre as atrações do festival retorna com mais força. As mesmas críticas já desferidas para Cláudia Leite, Katty Perry, Rihanna etc, de que por se tratar de um evento de “rock” – o qual, pelo menos, leva a palavra no nome – elas não deveriam estar lá, abrindo espaço para bandas que, de fato, tocam o estilo. A crítica é, sem dúvida, uma reivindicação justa, já que todos estes artistas têm espaço em eventos de seus respectivos estilos.


Porém, o Rock in Rio é, antes de tudo, um negócio, aliás, um grande negócio, baseado em seus artistas. Usa, é verdade, ecos de uma história, supostamente gloriosa, para fazer valer seu status de principal festival de rock (?) da América Latina. Então, como uma coisa (negócio) depende de outra (ecos de sua história), acontece essas escabrosidades de, no mesmo dia do show de Cláudia Leite, haver uma homenagem a Freddie Mercury, vocalista do Queen, uma das maiores bandas da Inglaterra e do mundo, e presença no Rock’n Rio, em 1985.


Andreas Kisser, do Sepultura, foi uma das bandas que se apresentou nesta edição do Rock in Rio. Foto: divulgação.


Mas aí, alguém pergunta qual o problema de artistas de axé, pop etc se apresentarem num festival só porque ele leva “rock” em seu nome? De fato, nu e cru, parece não haver nenhum problema. Se o rock não estivesse tão atrelado à formação de gerações inteiras, se não tivesse sido uma música que, a cada época, se reinventasse, seja para pedir paz e o fim de guerras, com os hippies dos anos 1970; criar “universos paralelos", como faz o heavy metal do Iron Maiden, ou, ainda, para tecer uma crítica social mais direta, como o punk.


Pode parecer pouco, mas não é. Nesta terça-feira, 27, punks do Brasil inteiro tiveram uma perda irreparável. Aos 49 anos, faleceu Redson Pozzi, fundador da banda Cólera, uma das mais importantes do cenário brasileiro e, quem sabe, da América Latina. Uma pessoa, inclusive, com forte ligação com Piracicaba e região, não só por ter tocado aqui por diversas vezes ao longo de três décadas, mas por ter mantido amizade com muitos piracicabanos. Diferente da maioria dos artistas, do rock ou não, Redson negou o sucesso a qualquer custo e se absteve de transformar sua banda apenas numa marca “de ecos de um passado supostamente glorioso”, como acontece aos montes no cenário musical do País.


Redson, do Cólera, que era um dos principais expoentes da cena punk brasileira. Foto: divulgação.


É irônico que Redson tenha morrido na semana do Rock in Rio, do qual uma das próximas atrações será a cantora de axé Ivete Sangalo. Ele era alguém que tinha a música e suas letras como uma extensão da sua própria conduta como ser humano, e era de toda a importância haver legitimidade entre o que cantava e fazia. Talvez Redson não vá receber homenagens pomposas do Rock in Rio, mas mereceria, por se tratar de alguém tão sincero com aquilo que acreditava, valor tão carente nos dias atuais, não só da indústria fonográfica, mas na sociedade em geral.


Então, quando alguém criticar axé num festival de rock, não se assuste; para muitos, é como subverter algo que vai muito além do que apenas negócio.



Redson deixou a mensagem: Deixe a terra em paz!